domingo, 13 de maio de 2012

Brincando de fazer Projeto...

Em 26/05/2010, postei um artigo sob o título A Copa de 2014 e os Projetos.
É uma tristeza imensa confirmar tudo o que foi vaticinado 2 anos atrás. Leiam o que segue:

Texto do Jornal Correio do Povo, Porto Alegre, RS: 12/05/2012 20:10 - Atualizado em 12/05/2012 21:45 - link: http://www.correiodopovo.com.br/Esportes/?Noticia=422168

Pacote da Copa apresentado à Fifa é "peça de ficção"

Das 12 cidades-sede, a situação mais complicada é a de Porto Alegre, alertam TCU e MP

O retrato das obras da Copa do Mundo que a comitiva brasileira apresentou à Fifa, para “acalmar” seus dirigentes, está longe da realidade, mostra cruzamento de dados acompanhados pelo governo, pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público. A maior parte das obras para transporte de torcedores metrôs, Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) e corredores de ônibus nem sequer tem projetos, e as licitações estão atrasadas. Essa é a fatia mais cara das obras financiadas com dinheiro público: o custo supera R$ 11 bilhões, quase o mesmo valor previsto para estádios e os aeroportos das 12 cidades-sede, juntos.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, levou à Suíça uma nova versão da chamada “matriz de responsabilidade”, o pacote de obras da Copa, que reúne os compromissos assumidos pelos organizadores com a infraestrutura do evento. O documento já exclui alguma das obras previstas em janeiro de 2010, data da primeira matriz, como o corredor de ônibus (BRT) de Salvador. Anota ainda, aumento acima de 25% do custo de algumas obras. Outras tiveram o prazo de conclusão ajustado até maio de 2014. Mas há prazos irreais, revela olhar mais atento no documento.

Um exemplo é o VLT de Brasília. Quase dois anos depois do início previsto para a obra, ela se resume hoje a um monte de tapumes a atrapalhar o trânsito num dos acessos ao Plano Piloto. Na quinta-feira, o Ministério Público federal e do Distrito Federal recomendaram a exclusão da obra do pacote da Copa, que dá direito a licitações mais flexíveis, por meio do Regime Diferenciado de Contratações (RDC). A eventual dispensa de licitação a pretexto do prazo curto será considerada ilegal, alertam os procuradores. “A situação emergencial decorre apenas de fato imprevisível. Como a Copa tem data certa, é inaceitável esse tipo de desculpa”, disse o procurador Paulo Roberto Galvão, um dos integrantes do grupo de trabalho do Ministério Público para a Copa.

As obras de mobilidade urbana da Copa também contam com empréstimos que podem ser pagos em até 30 anos, depois de um prazo de carência (sem pagamentos) de quatro anos, além de juros de até 6% ao ano. O dinheiro vem do FGTS.
Brasília não é um caso isolado. “Obras que não vão ficar prontas a tempo da Copa não podem contar com os benefícios do Regime Diferenciado de Contratação e dos limites de endividamento dos Estados, há um limite temporal e o seu descumprimento é gravíssimo”, diz o procurador Athayde Costa, coordenador do grupo. Ele disse que o documento levado pela comitiva brasileira à Suíça “parece peça de ficção”.

Sem projeto

Das 12 cidades-sede, a situação mais complicada é a de Porto Alegre. A cidade tem o maior número de obras de mobilidade urbana previstas para o Mundial: dez, num total de 48 projetos. Nenhuma delas conta com o projeto básico. As licitações não foram iniciadas, como em outros oito casos, mostra acompanhamento do TCU. “A apenas dois anos e dois meses do evento, apenas 4,1% do montante total financiado foram desembolsados e 72% dos empreendimentos com financiamento contratado ainda não tiveram o contrato de execução das obras assinado, sendo que, desses, 75% tiveram seus contratos de financiamento assinados há mais de 18 meses”, contabiliza ainda o TCU.

O tribunal cobra do governo responsabilidade no estabelecimento de prazos para projetos tocados por Estados e municípios. “Deve-se assumir o peso político dessa tomada de decisões”, diz o ministro Valmir Campelo no voto aprovado na semana passada. “Essa decisão tem de ser colegiada”, alega Luiza Gomide, diretora de mobilidade urbana do Ministério das Cidades. “Fatalmente, em algum momento, terá de ser tomada”. O ministério aguarda uma nova rodada de visitas a campo para apresentar um retrato mais fiel do ritmo das obras.

Em junho passado, a presidente Dilma Rousseff decidiu suspender o financiamento para as obras que não tivessem sido iniciadas até dezembro de 2011. Em setembro, o governo anunciou que aceitava afrouxar os prazos de licitação das obras, contanto que elas ficassem prontas até 2014. O resultado é que os Estados e municípios se comprometem a cumprir prazos irreais. E o governo federal, por ora, aceita.

Na nova matriz de responsabilidades, o monotrilho de São Paulo tem prazo de conclusão previsto para maio de 2014– um ano e dois meses depois da previsão inicial. O custo do empreendimento já aumentou em mais de 25%, registra o documento. O contrato com o consórcio de empresas foi assinado em setembro passado. Mas o projeto básico da Linha Ouro ainda não teria sido concluído, segundo informações repassadas pelo governo.

Sem mais comentários...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Quando a crise vai embora...

Acho interessante quando alguns empresários (para ficar na minha área de atuação) vêm a público exaltar o momento de renascimento econômico do Brasil e transmitir o quanto estão confiantes na concretização de grandes negócios daqui para a frente, revelando o seu apurado faro empreendedor. Ok, mal isso não faz, mas gostaria de saber porque grande parte deles não demonstrou a mesma tenacidade e fortaleza quando estivemos mergulhados na crise que perdurou do final de 2008 até o começo deste ano.
Bem, poderíamos supor que é assim mesmo quando se trata de coisas da vida, do modo como o ser humano encara as dificuldades e não sabe bem como transpô-las. Quando as coisas estão mal o que se mais ouve é a choradeira dos incompetentes do que o arregaçar das mangas de quem trabalha obstinadamente por um projeto e não se deixa abater pelos obstáculos.
Para as empresas, a coisa funciona da mesma forma. A que está impregnada pelo espírito do planejamento, organizada para uma visão de futuro e que tem a capacidade de avaliar com discernimento os diversos cenários que se apresentam saberá medir os riscos mais apuradamente, transformando os períodos de crise em oportunidades de crescimento.
Diferenciar-se nos momentos em que tudo está de cabeça para baixo nos picos de instabilidade econômica e financeira é sinônimo de grandeza empresarial. É crescendo na dificuldade que se revela o verdadeiro empreendedor, aquele que acredita em seus projetos e na perpetuidade do seu negócio.
Em 2010 está sendo muito fácil se dizer empresário...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Copa 2014 e os Projetos

Está batendo aí na nossa porta a copa do mundo 2014, com sede no Brasil. Até agora, temos notícia de que todos os projetos a ela relacionados estão atrasados ou sequer foram delineados. O tempo é curto, apesar de serem ainda quatro anos pela frente. Alguma coisa está errada na mente dos organizadores ou é mesmo proposital?
Existem três drives de projetos: tempo, escopo ou custo. Um deles é sempre o foco principal do gerenciamento e quando nasce negligenciado terminará em fracasso. Para 2014, nosso drive é tempo, sem dúvida. Temos condições materiais, humanas e financeiras para o projeto andar na linha. Sabemos o que precisa ser feito em termos de infraestrutura em todas as áreas (estádios, aeroportos, obras viárias, segurança, comunicações, etc...). Mas quando vai começar, afinal? Quando não houver mais tempo para acabar? Ou quando as obras atingirem grau de urgência máxima, a ponto de o exercício de Aquisições ser negligenciado completamente? A favor de quem?
Quando precisarmos avaliar materiais, fornecedores, serviços não teremos que fazê-lo apressadamente em socorro ao nosso esgotado drive tempo? Onde vai parar a qualidade? Quem gostaria disso? Ora, quem puder negociar vantagens para si, em detrimento do benefício público. Isso tem nome gravado na história das licitações: superfaturamento.
Em prol de um Brasil mais sério e objetivo, menos roubo ("fazejamento") e mais planejamento.

sábado, 17 de outubro de 2009

Aprenderemos

O presidente do Senado Federal, José Ribamar Sarney, ordenou o cancelamento das licitações que visavam a contratar empresas/consultorias para, em última instância, otimizar o funcionamento da casa (leia-se trabalhar melhor e mais limpo e gastar menos).
Passadas a crise econômico-financeira, apelidada carinhosamente de “marolinha” por quem jamais temeu por seu emprego e pelas suas mordomias, e as pressões mais incisivas da mídia minimamente crítica deste país, o Sr. Sarney voltou a afiar as garras. Prova, mais uma vez, que o universo político de Brasília não tem o que temer e é uma Raposa do Sol deslocada para o centro do nosso território, ou seja, uma nação independente, com suas próprias leis e costumes.
A reserva indígena demarcada, no norte do Brasil, pelo menos sabe-se claramente, foi entregue de bandeja para quem quiser adonar-se. Já o Senado (podemos colocar a Câmara dos Deputados no mesmo prato), por seu turno, insiste em atuar dissimuladamente pelos interesses da pátria. É como aquele cidadão que, tristemente, encontra-se mergulhado no vício, qualquer que ele seja, e cega-se para a crítica e para a ajuda oferecida. Mais gravemente ainda, age com a plena convicção de que a sua moral é exemplo a ser seguido.
O câncer instalado no coração do país está alastrado, não responde mais à quimioterapia. É preciso extirpá-lo. Não a instituição (que fique claro); sim os seus componentes.
A democracia chegou para ficar. Ainda engatinha, mas vai crescer e se fortalecer. Só precisamos aprender a votar pelo bem do país e de todos e não pelo toma-lá-dá-cá. A Câmara espelha, sem dúvida, as ações e a moral de uma grande parte de seus representados. Não sejamos hipócritas e não nos eximamos dos nossos erros. Falhamos muito nos critérios e na forma pouco responsável como escolhemos nossos legisladores e executivos.
Aprenderemos pelo sofrimento, infelizmente, mas aprenderemos. 2010 é uma nova chance de varrer a sujeira para o lixo. Para o lixo, não para baixo do tapete!
Aprenderemos...aprenderemos...

sábado, 18 de julho de 2009

Escravatura democrática

Gostaria de brindar os amigos com o texto a seguir, publicado na edição de 19/07/2009 do Jornal Zero Hora de Porto Alegre, escrito pelo jornalista Marcelo Rech:

Nos idos de 1977, na antevéspera da abertura política, Pelé levantou contra si um tsunami de ira ao afirmar, durante uma homenagem na Câmara dos Deputados, que os brasileiros não sabiam votar. Logo depois, Pelé corrigiu sua declaração, explicando que o brasileiro deveria votar com mais seriedade, mas era tarde: a oposição ao regime identificou no ídolo dos gramados um inimigo do voto direto em todos os níveis, então um clamor do Brasil democrático. Pelé calou-se, estudantes saíram às ruas para enfrentar cassetetes e gás lacrimogênio, sindicalistas (entre eles Lula) foram presos por fazer greve, intelectuais se uniram aos liberais e arrancaram a anistia, o fim da censura e a legalização de partidos clandestinos.
Em 1979, acreditávamos todos (ok, quase todos os que queriam a abertura) que Pelé era um lambe-coturnos do regime e que eleições livres em todos os níveis libertariam os brasileiros dos grilhões da ignorância democrática, da manipulação política e do estado geral de indigência terceiro-mundista. Ao entrarmos no estado de direito, cruzaríamos o umbral do nirvana político. Eleitos democraticamente, os políticos trabalhariam para e pelo povo. Fiscalizados de perto pelos eleitores, congressistas, vereadores e governantes deixariam no passado de sombras os vestígios da roubalheira e dos favorecimentos.
Trinta anos depois, em meio a um vale-tudo no qual políticos mandam diariamente sinais de banana para eleitores anestesiados, é preciso admitir que Pelé só se equivocou por não ter profetizado que os brasileiros não apenas não sabiam votar, como teriam grande dificuldade de aprendizado. São brasileiros os que elegeram Collor – e o reelegeram para o Senado e, com discreto apoio de Lula, provavelmente vão reentronizá-lo no governo de Alagoas. São brasileiros que, sem dar atenção às evidências, brindam com mandato após mandato renans, barbalhos e sarneys ou que identificam no alojamento na Capital oferecido à tia do vizinho a mais relevante contribuição possível de um político. Mas somos nós, brasileiros de uma elite bem informada e com acesso a plano de saúde, que, depois de quase três décadas sem a desculpa da falta de eleições, não logramos nenhum avanço significativo desde o início do estado de direito e nos mostramos incapazes de demonstrar na prática a beleza e o valor de uma democracia de verdade.
Onde erramos? Arrisco dizer que boa parte da culpa reside na manutenção de duas excrescências do regime militar: o voto obrigatório e o horário eleitoral gratuito. Abdicamos da democracia participativa para conviver mansamente com a democracia compulsória. Querendo ou não querendo, você será obrigado a votar. Querendo ou não querendo, você será compelido a engolir, em todos os meios de comunicação e ao mesmo tempo, o que eles querem que você veja e ouça. É o estado de direito autoritário, uma singularidade brasileira feita sob medida para manter eleitos os eleitos e eleger aqueles que não precisam se esforçar muito para serem reconhecidos.
Acabando-se com o voto obrigatório, os políticos terão não só de nos convencer que são os melhores para o cargo, mas que sua atividade como um todo merece confiança. Eles terão de nos arrebatar com trabalho e desprendimento, e não levar de presente cestas de votos porque “é o mais bonitinho” ou “porque eu tinha de votar em alguém mesmo”. Se não são eliminados, os feudos e os rebanhos sofreriam um duro golpe, como aliás, começa a ocorrer por rebelião social: em certas eleições, 20% dos eleitores já ignoram a obrigatoriedade ou votam nulo.
Acabando-se com o horário eleitoral gratuito obrigatório, zé fini para a moleza de aparecer sem esforço. Os muito bons terão visibilidade durante todo o mandato. O novatos vão se esmerar ainda mais para levar olho no olho sua mensagem e convencer o eleitorado de que merecem um lugar ao sol. Terminam os truques de vídeo e os milhões entregues nas sombras aos marketeiros. Mas não é justo se liquidar simplesmente com a propaganda eleitoral. Sem trucagens e megaproduções, ela deveria ser mantida 24 horas por dia durante os três meses que antecedem a eleição nas TVs Câmara e Senado da vida. Quem quiser conhecer as propostas e os candidatos, assiste aos canais. Aos demais, decreta-se o fim da escravatura democrática. Na prática, aliás, hoje o horário só é obrigatório para as classes mais pobres. Quem tem TV a cabo pode passar a campanha sem topar com o rosto de um candidato. Mais um fato de discriminação para que políticos de segunda linha arregimentem seus rebanhos.
É simples a mudança? Tenha em conta o seguinte. Em qualquer parte do mundo, a mente política reage a dois instintos: em primeiro lugar, o da sobrevivência no mandato e, depois, o da perspectiva de reeleição ou eleição a outro cargo. Tudo o que representar ameaça será repelido pelos instintos. É da natureza humana: ninguém é a favor de nada que ameace sua sobrevivência. É por isso que não houve e nem haverá alteração nas práticas eleitorais. Então, a única forma decente, rápida e indolor de se fazer estas e outras reformas políticas, e finalmente se lançar as bases para a modernidade democrática, é se eleger uma miniconstituinte, paralela ao Congresso, com mandato de seis meses. Mas esta já é uma outra conversa.

domingo, 5 de julho de 2009

Domingo é dia de poesia! XII

Asas de Colibri
(Jurema Chaves)

Minha alma é livre
Como um colibri
Mas se prende a ti,
Minha flor cheirosa,
Meu botão de rosa
A desabrochar num riso
Ah! como eu preciso
Desse jeito meigo
De mulher charmosa.

Minha alma é livre,
Sim, a minha alma é livre
Como é livre o vento,
Este sentimento
É que me enreda os passos
Neste contrapasso
Eu perco o compasso
Por querer-te tanto,
Vou compondo um canto
Num hino que os anjos
Solfejam no espaço,
Mesclando perfumes
Destes teus abraços.

Minha alma é livre,
Sendo aprisionada
Nestas mãos de fada
Voz aveludada,
Teus olhos de anjo
São duas algemas
Leves e perfumadas
Que me roubam tudo
Sem tirar-me nada

Minha alma é livre,
Coração alado
Um gosto de pecado,
Crime sem perdão
Que amor é este
Que prende e liberta
Que me desconcerta
Que insana razão
Que me rouba o sono
Que me põe num trono
E me joga no chão.

Por amor me prendas
Por favor entendas a minha razão,
Se minha alma é livre
É para estar contigo
Ser teu poncho –abrigo
Ser teu coração.
Sou um rico mendigo
Teu melhor amigo
Teu amor antigo
É tu, és o melhor de mim,
A minha verdade
Minha liberdade,
Amor que transcende, além do adeus,
Mas, se tudo isso pode ser pecado
Serei condenado, pagarei o preço pelos erros meus
Para ter a suprema ventura
E, morrer sufocado na ternura,
Da prisão dourada, destes olhos teus!

Minha alma é livre,
Buscando a prisão
Sem prender-se nunca
Como um colibri
Eu já me perdi, tentando encontrar-me,
Soou o alarme e nem percebi,
Tão enternecido, fui seguindo em frente,
Quase inconsciente,
A buscar somente a luz do teu olhar,
Que, por mais que me zangue
Me incendeia o sangue
Põe meu peito em brasas,
Quero que me abraces
Me apertes, me amasses...
Mas, por favor, não quebre,
As minhas asas!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Novos horizontes

Michael Porter nos presenteou com seus modelos eficazes que contribuíram para a construção do pensamento estratégico sobre mercados já consolidados, a saber: as 5 forças e a cadeia de valor. E quanto aos mercados inexplorados? Onde encontrar princípios que nos ajudem a transpor as fronteiras do atual ambiente competitivo? Kim e Mauborgne aparecem em cena.
Os autores, em A Estratégia do Oceano Azul, nos apresentam à matriz de avaliação de valor. É um instrumento de diagnóstico que contribui para o desenvolvimento de uma estratégia que visa a captar a situação atual de determinado mercado, permitindo à empresa entender como os seus concorrentes estão investindo, quais atributos fazem parte dessa competição e o que os clientes recebem das ofertas disponíveis.
A matriz é composta por dois eixos. No eixo horizontal são lançados os atributos nos quais o setor investe e compete. No eixo vertical é pontuado o nível de oferta de cada um desses atributos, segundo a percepção dos clientes. Com esses dois componentes mapeados surge a curva de valor que representa a performance da empresa de acordo com cada atributo elencado.
Uma vez conhecida a matriz de avaliação, a empresa parte no rumo da reconstrução dos elementos de valor para o seu cliente, no sentido de romper com as estratégias correntes de diferenciação e custo e de criar uma nova curva para si. É nesse ponto que entra em cena o modelo das quatro ações, formado por quatro perguntas-chave as quais possuem a função de rever a lógica estratégica e o modelo já formalizado de negócios do setor.
As perguntas-chave são: quais são os atributos considerados indispensáveis pelo setor que podem ser eliminados? quais os atributos que devem ser reduzidos nos padrões setoriais? quais atributos devem ser elevados para acima dos padrões setoriais? e quais atributos precisam ser criados?
Eliminar atributos que hoje servem de base para a concorrência no setor – primeira pergunta – força a empresa a reagir às mudanças do mercado e repensar sobre aquilo que não lhe gera mais valor ou, até mesmo, destrói valor. Reduzir os padrões significa examinar se a empresa, ao imprimir excesso nos atributos de produtos e serviços oferecidos na guerra para superar a concorrência, não acaba descontrolando a sua estrutura de custos.
Elevar os atributos, por sua vez, ajuda a identificar e a corrigir as limitações que o setor impõe aos clientes. Já a quarta pergunta leva a empresa a descobrir quais novos valores podem ser gerados para os seus clientes, criando novas demandas e permitindo que os preços do setor sejam alterados.
Basicamente, as duas primeiras questões conduzem a empresa a otimizar/revolucionar a sua estrutura de custos em comparação com os seus concorrentes. As duas últimas têm o intuito de aumentar o valor para os clientes e criar novas necessidades.
O que tudo isso quer dizer, enfim, é que ao eliminar e ao criar os seus próprios atributos, as empresas tornam irrelevantes as regras atuais da competição setorial. O modelo das quatro ações, em seu turno, aplicado à matriz de avaliação de valor, propicia que façamos uma nova leitura sobre velhas verdades que nunca foram retrucadas, pintando um novo horizonte de alternativas a ser desbravado sem o desconforto da concorrência – o oceano azul dos negócios.
Até a próxima!
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Leia mais:
Kim, W. Chan e Mauborgne, Renée. A estratégia do oceano azul: como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Uma noção de valor

A noção de valor para o cliente é um aspecto muito delicado de se tratar. Como inferir ou julgar o valor que o cliente dá para o seu produto ou negócio? Pode-se ter um sentido de valor igual para todos? Perguntas e mais perguntas difíceis de responder. Vamos ver o que nós, empresários, podemos tentar incutir na mente dos nossos clientes para fomentar uma visão positiva de valor.
Valor, para nos situarmos, é um dos itens de estudo da estratégia de diferenciação a qual, por sua vez, está inserida nas estratégias genéricas que buscam a vantagem competitiva pelas empresas. Não tem nada a ver com preço, como a princípio muitos tendem a crer. Tem a ver com percepção e sentimento. A percepção que o cliente desenvolve da importância do seu produto/negócio para ele e o sentimento de satisfação que essa relação lhe transmite.
Preço, disponibilidade, utilidade são fatores importantes na diferenciação, mas não são decisivos nesta nossa análise. O valor se forma com outros componentes menos concretos e que, em minha opinião, principia com o respeito que se dedica ao cliente. Importar-se com a sua manifestação já começa a fazer o diferencial aparecer. A partir disso, não importa que você seja dominante no seu nicho de atuação, seu cliente perceberá que existe algo de bom em que acreditar. Mas é preciso ir além. É preciso de atitude. Atitude para resolver agilmente os problemas e as necessidades demandadas. O consumidor precisa perceber que você tem capacidade e disposição para mudar sempre que solicitado. Ele precisa se sentir confortável com isso e, se sua atitude for constante nesse sentido, aumentará o sentimento de lealdade para com você. A sua marca começará a ser lembrada permanentemente e positivamente.
Acrescente, ao que tratamos, redução de custos e melhoria de desempenho para o cliente e o resultado será uma goleada de competência sobre a concorrência.
Valor, enfim, é de uma subjetividade ímpar. Cada cliente sente e percebe a seu jeito. As ações acima parecem simples, quase banais, entretanto não as vislumbramos com muita frequência nos mercados em que somos clientes. Ainda há muito caminho a ser percorrido na evolução das relações empresa/cliente. Largar na frente, lembre-se, cria os laços e a sustentabilidade que outros competidores precisarão de esforço multiplicado para desfazer.
Descubra o que o seu cliente realmente valoriza e faça a sua diferença!

domingo, 21 de junho de 2009

Domingo é dia de poesia! XI

Contrastes
(Augusto dos Anjos)

A antítese do novo e do obsoleto,
O Amor e a Paz, o ódio e a Carnificina,
O que o homem ama e o que o homem abomina,
Tudo convém para o homem ser completo!

O ângulo obtuso, pois, e o ângulo reto,
Uma feição humana e outra divina
São como a eximenina e a endimenina
Que servem ambas para o mesmo feto!

Eu sei tudo isto mais do que o Eclesiastes!
Por justaposição destes contrastes,
Junta-se um hemisfério a outro hemisfério,

As alegrias juntam-se as tristezas,
E o carpinteiro que fabrica as mesas
Faz também os caixões do cemitério!...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Revendo Porter e a crise

Olhar para o mercado e depois, coerentemente, desenvolver as estratégias compatíveis com os objetivos que se quer alcançar é, antes de tudo, uma atitude inteligente das empresas. Só excetuamos aquelas que descobriram o fogo, metaforicamente falando, pois estas dispõem de um mercado totalmente novo e inexplorado para desbravar. De outra forma, nada sério escapa à analise das cinco forças influenciadoras na vida das empresas. São elas: os produtos substitutos, os novos entrantes, os compradores, os fornecedores e a rivalidade setorial. É o clássico Modelo de Porter. E o governo, cara pálida, onde se encaixa? Bem, para Porter o governo não passa de acessório e não deve se meter onde nada entende, somente envolvendo-se nas questões de regulação.
De minha parte, o governo é sim uma força destacada. Ele pode, positiva ou negativamente, com suas ações restritivas ou incentivadoras, arbitrar sobre a vida ou a morte de um negócio. A crise que se desenvolveu globalmente nos premiou com vários exemplos do que falo. Quando o mercado não se resolve por si mesmo, a mão estatal acaricia ou guilhotina, conforme a sua conveniência. Porter pode estar repensando seriamente sobre isso.
O livre mercado faceiro, autorregulado e independente murchou. O liberalismo entrou em cheque mais uma vez, mas, como sempre, ressurgirá ainda mais pujante e cheio de novas ideias. O mercado precisa passar por essas fases para se saber quem é realmente competente e quem está no jogo somente para faturar. É o capitalismo se auto-depurando.
As empresas que sucumbiram, certamente, deixaram-se iludir pela autossuficiência, pela arrogância e pelo lucro fácil. Não enxergaram para fora de suas fronteiras e negligenciaram pelo menos uma das cinco forças (+ governo) citadas. Vejamos, por exemplo, o caso da GM americana: há décadas vem sendo dobrada pelos asiáticos e sempre deu de ombros (força rivalidade e força novos entrantes); jogou seu próprio projeto, bem-sucedido, de um carro elétrico no lixo, desmerecendo seu poder de inovação (força produto substituto) e, completando; operações baseadas em alto custo e engessamento sindical (força governo). E o fim se deu.
O mundo empresarial se reestrutura de tempos em tempos e essa é a ordem natural e histórica do mercado, com seus ciclos de pujança e de estagnação. As empresas bem gerenciadas driblam com maior competência os momentos de crise e adaptam-se mais facilmente aos novos padrões impostos. E pode-se inferir que sua grande maioria acredita e respeita o paradigma de Porter.
Viva o mercado depurado e o mérito para quem tem atitude inteligente!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Os desafios, etcétera e tal

Tenho notado que muitas pessoas têm se reunido para ouvir entendidos sobre os desafios de suas carreiras, de seus negócios, de suas vidas, e assim por diante. Ouvir pessoas inteligentes sempre é uma coisa muito estimulante e, quando a palestra traz exemplos construtivos e verdadeiros, melhor ainda. Os títulos costumam ser atrativos, como: “os desafios do agrobusiness no mundo atual”, “os desafios da educação nos municípios”, “os desafios da política de defesa nacional”. Tudo o que lembra desafio tende a chamar a atenção.
Saber quais são os desafios de sua vida, negócio ou profissão é um elemento básico do contexto de cada um. O mundo não está aí para perdoar aqueles que se jogam em aventuras sem o devido conhecimento de causa. Dessa forma, seria importante que valorizássemos mais os multiplicadores que demonstram a boa vontade de ir um pouco mais adiante. Aqueles que, além de nos encher os ouvidos com problemas que já estamos cansados de identificar e quebrar a cabeça para resolver (e aqui vale ressaltar que muitos gostam, mesmo, é de ouvir que outros também possuem encrencas para resolver, o que os conforta imensamente), nos mostrem as soluções que encontraram e que gostariam de compartilhar com os demais. Isso sim faria a diferença e valorizaria gigantescamente o encontro.
Compartilhar soluções, não problemas, é o movimento certo. É tão compensador quanto o sentimento que temos quando a gente forma e desenvolve uma equipe competente e realizadora, onde os integrantes se completam intelectualmente, instigando uns aos outros a crescerem e a se desenvolverem sob todos os aspectos. Já pensou uma reunião na sua empresa na qual todos trazem somente os problemas para dividir e nenhuma solução para implementar? Improdutivo e, por consequência, inaceitável. Não conheço qualquer empresa que sobreviva a tal.
Não existe solução dos outros que seja perfeita para tudo o que precisamos, pois como é a mais pura verdade “cada caso é um caso”. Entretanto, quanto mais subsídios pudermos reunir, melhor. E nos cabe a tarefa final, indelegável enquanto gestores, de elaborar esses ensinamentos recebidos e utilizá-los como ferramentas para a transformação que precisamos.
Viva as soluções!

domingo, 31 de maio de 2009

Domingo é dia de poesia! X

Anjos do Céu
(Álvares de Azevedo)

As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d'escuma revolvem-se nus!
E quando de noite vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear,
E a trança luzente da nuvem flutua,
As ondas são anjos que dormem no mar!
Que dormem, que sonham - e o vento dos céus
Vem tépido à noite nos seios beijar!
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!
E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de ventos e mar:
São beijos que queimam... e as noites deliram,
E os pobres anjinhos estão a chorar!
Ai! quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar,
Por que não consentes, num beijo de amor
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Gestão nota zero

Um juiz da cidade de Canoas/RS indeferiu o pedido de prisão preventiva de uma quadrilha especializada no roubo de caminhões, embora todas as provas apresentadas pela polícia para embasar o pedido fossem incontestáveis. Alguns dos integrantes da quadrilha, inclusive, são apenados que já cumprem pena sob o regime semiaberto. Entre as alegações do magistrado para a negativa estão a bem conhecida superlotação dos presídios gaúchos e a falta de condições mínimas que a infraestrutura atual apresenta para manter os atuais condenados.
É mais um péssimo exemplo da condução da coisa pública pelo nosso poder executivo, o qual, sabe-se há muito tempo, desconhece ou faz que não conhece as quatro letrinhas mágicas da administração: P (Plan) – de planejar; D (Do) – de fazer; C (Control) – de controlar e; A (Act) – de agir.
Os governos, teoricamente, assumem a obrigação, ao eleitos, de se comprometer com o gerenciamento da vida em comum de nossa sociedade. A eles é delegado o poder de planejar, fazer, controlar e agir em nome do bem de todos. Porém, poucos sabem como fazê-lo. O exemplo negativo dos presídios é apenas mais um.
No caso gaúcho, o problema vem sendo ‘esquecido’ desde que me dou por gente grande. Em 1984, servindo à altiva 1ª. Cia de Guardas, em exercício de instrução, tive a infeliz oportunidade de visitar o presídio central de Porto Alegre. A impressão que internalizei, já na época, foi de um profundo descaso com os aspectos físicos das instalações e com as condições rudimentares para a recuperação de um ser humano. Foi um choque de mundo inesquecível. E, de lá até hoje, nada foi repensado. Um governo que passa empurra a causa para outro e, se seguirmos nesse passo, ninguém mais será preso. Bom para quem?
Conferindo um grau de maior inoperância ao atual governo, dois pontos ainda precisam ser mencionados. O primeiro diz respeito ao fato de a governadora, em outubro de 2008, ter emitido ordem expressa ao seu secretariado afim para estudar e propor as soluções para o problema prisional do estado. Nada foi estudado e proposto. O segundo ponto, com origem em Brasília, é a confirmação de que verbas não faltam, uma vez que o governo federal já dispôs R$ 44 milhões para ajudar na manutenção e na construção de novos estabelecimentos de reclusão. Neste caso, o governo estadual não se dignou a apresentar, como dita a regra, os projetos necessários para a liberação do dinheiro. É um ótimo case de gestão ineficiente e inconsequente.
Torço para que a decisão tomada pelo juiz sirva, principalmente, como forma de pressionar nossas autoridades responsáveis a saírem do seu estado de letargia para cumprirem com os seus deveres perante a população a qual servem. Se assim acontecer, nosso magistrado merecerá, mais do que aplausos, um busto de bronze em praça pública.

domingo, 24 de maio de 2009

Domingo é dia de poesia! IX

Bilhete
(Mário Quintana)

Se tu me amas,
ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim,
tem de ser bem devagarinho,
amada,
que a vida é breve,
e o amor
mais breve ainda.

sábado, 23 de maio de 2009

Coaching

Nossa vida nos oferece inúmeras oportunidades de demonstrar habilidades de coaching. A todo o momento que ensinamos uma nova habilidade a alguém, seja a uma criança que está aprendendo a andar ou a um líder de projeto que está aprendendo a coordenar reuniões, estamos fazendo coaching.
No meio profissional, você pode utilizar essas habilidades para criar condições ideais de trabalho, como: orientação e treinamento adequados para os empregados, fixação de responsabilidades e padrões claros, apoio em épocas de transição e garantia de motivação e produtividade por meio de feedback eficaz.
A palavra coach traduzida para o português significa treinador. Para todos nós, a figura do treinador de futebol é a que mais se aproxima de quem tem a função de coach. Ele estimula um jogador ou um time inteiro a trabalhar em equipe, a se manter informado sobre o que acontece com seus adversários, a aceitar e a vencer desafios.
Coaching transmite a idéia de levar ou transportar e tem o sentido de treinar, de apoiar pessoas a se dedicarem e a terem entusiasmo no cumprimento de seus objetivos. A essência do coaching está no trabalho com metas e no desenvolvimento de competências para conquistá-las. O coaching evolutivo, por sua vez, além de trabalhar metas e competências, foca a transformação e a evolução pessoal.
Coaching pode ser entendido, também, como um sistema de desenvolvimento que permite às pessoas aprenderem pelo processo de exploração, discussão e realização de experiências. Tal sistema ajuda os indivíduos e as organizações a se desenvolverem mais rápido e a produzirem resultados mais satisfatórios.
Podemos mencionar cinco tipos de coaching:
Coaching de negócios: lida com questões relacionadas com trabalho e desempenho no trabalho. Em geral, os gerentes atuam como coach junto ao seu pessoal.
Coaching executivo: coaching para a alta gerência, para melhorar as tomadas de decisões estratégicas e a liderança.
Coaching de vida: envolve discussão sobre o trabalho e a vida profissional, mas acrescenta o estabelecimento de metas de vida, a análise de valores pessoais, crenças, a satisfação atual e a desejada nos mais diversos aspectos da vida pessoal.
Coaching de equipe: desenvolve equipes de alto desempenho e garante a continuidade de bons resultados e alto retorno do investimento.
Coaching esportivo: desenvolve atletas para um alto desempenho na sua modalidade. Os atletas recebem coaching de um jogador profissional, geralmente alguém que teve uma carreira de sucesso.
Mais do que ensinar, o Coaching ajuda as pessoas a aprender.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Mentoring

Quando nos referimos às nossas experiências profissionais quase sempre surge a lembrança de determinadas pessoas que nos influenciaram de maneira especial e nos ajudaram a construir e a desenvolver nossas carreiras de maneira eficaz. Essas pessoas que nos proporcionaram orientação, aconselhamento, informações, diferentes relacionamentos profissionais e nos encorajaram ao apontar caminhos e soluções novas para os problemas são os nossos mentores. Muito do que já fizemos e alcançamos devemos a eles. E, provavelmente, muito do que ainda faremos.
O mentoring pode ser definido como a participação de uma pessoa experiente (o mentor) para ensinar e treinar outra pessoa (o protégé) com menos conhecimento ou familiaridade em determinada área.
Em geral, o mentoring faz parte do processo de planejamento de carreira. Sob a batuta de um bom mentor, a aprendizagem passa a focalizar objetivos, oportunidades, expectativas, padrões e assistência na plena realização de nossas potencialidades. Mais ainda, o mentoring é uma relação entre duas ou mais pessoas que é orientada para o desenvolvimento e na qual uma delas proporciona orientação, modelagem de papel, compartilhamento de contatos e redes de relacionamento e apoio geral à outra. A relação mentor-protégé é uma relação, por assim dizer, entre mestre e pupilo.
O mentoring sempre esteve presente na história da humanidade. Na antiguidade, os reis e nobres contratavam mentores para cuidar do aprendizado e educação dos filhos. Naquela época, envolvia conhecimentos gerais, línguas, boas maneiras, comportamento, raciocínio e convivência. Com o aparecimento das organizações e seu gradativo crescimento, o papel do mentor começou a sair do círculo familiar e da nobreza para estender-se ao ambiente organizacional quando os empresários e dirigentes passaram a se preocupar com a formação dos seus sucessores.
As relações de mentoring podem ocorrer em qualquer nível e em qualquer área da organização. A sua duração pode variar enormemente, desde alguns poucos contatos esporádicos até um relacionamento mais estável e duradouro.
O mentoring organizacional pode ser formal ou informal. Quando informal, os executivos de nível médio ou sênior podem voluntariamente assumir e apoiar determinados funcionários, não somente para treiná-los, mas para dar-lhes orientação sobre a carreira e ajudá-los a transpor barreiras políticas ou dificuldades técnicas. Muitas dessas relações são desenvolvidas através de meios informais para criar equipes de trabalho diversificadas e, assim, disponibilizar oportunidades para aumentar as redes de interações entre as pessoas. Existem também os chamados círculos de mentores que visam a incentivar determinados papéis ou mesmo melhorar certas competências dentro da organização. O mentoring informal ou voluntário é mais eficaz e parece funcionar melhor que o mentoring formal, decorrente de uma responsabilidade imposta.
Muitas organizações, porém, preferem programas formais de mentoring. Elas encorajam relacionamentos e aproximam protégés com potenciais mentores. O treinamento, em geral na forma de manuais instrucionais, pode ajudar e até facilitar o processo de mentoring, no sentido de proporcionar, tanto ao mentor como ao protégé, a compreensão de suas respectivas responsabilidades.
Nos dias atuais, a exigência é que estejamos onde a bola vai chegar e não onde ela já esteve. Para tanto, as organizações precisam de líderes transformacionais e renovadores, comprometidos com a missão e com a visão organizacional. São esses os mentores que as organizações necessitam para o desenvolvimento dos seus executivos.
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Leia mais:
BERNHOEFT, Rosa Elvira Alba. Mentoring: abrindo horizontes, superando limites, construindo caminhos. São Paulo: Gente, 2001.
MINOR, Marianne. Coaching e aconselhamento: um guia prático para gerentes. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001.

domingo, 17 de maio de 2009

Domingo é dia de poesia! VIII

Como nascem os poetas
(Sharik Letak)

Palavras são meninas bem sapecas
Bailando, pelo espaço, envaidecidas,
Sorrindo com carinhas de bonecas
Em busca de uma pena distraída.

Cupido vem então, (que leve a breca),
E faz no peito amante a ferida,
E este ou enlouquece ou vira asceta
Pois já a alma tem de amor perdida.

Então, vem a palavra, esta menina,
Em loucas aspirais, em serpentina,
E toca as mãos do amante, já pateta.

O tolo, já “doutor” o verbo esgrima,
Já ri envaidecido, já faz a rima,
E nasce um louco a mais, mais um poeta!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Trabalhando em equipe

Um grupo de pessoas reunidas em prol de um objetivo basta para que tenhamos o que se chama de equipe? Obviamente que não. Uma equipe é um tipo muito especial de grupo. Uma equipe é um conjunto de pessoas interdependentes que se complementa técnica e intelectualmente, com metas e objetivos bem definidos e esclarecidos, que internaliza um sentimento muito forte de coesão, responsabilidade e comprometimento, não somente com relação aos demais colegas, mas também com o futuro do negócio/projeto em que atua.
Pertencer a uma equipe eficaz, em acréscimo, potencializa a criatividade, uma vez que todos se estimulam mutuamente a buscar novas idéias e perspectivas que contribuam para solucionar os problemas e os desafios que surgem pelo caminho. É um conjunto de pessoas preparadas para lidar com a complexidade e com as incertezas do dia-a-dia.
Normalmente, o líder dessa equipe é craque em relações interpessoais e adepto do empowerment. Ele se preocupa com os seus liderados, é empático, visionário e inspirador. É um agente de mudanças que consegue transmitir emoções e valores reais para os seus seguidores e utiliza seu carisma para energizar as pessoas para o trabalho com foco. É um líder transformacional, diferente do transacional que observa a relação com os subordinados apenas sob o aspecto da troca: trabalho por recompensa, um favor pelo outro, etc.
As equipes são dinâmicas e atravessam diversas etapas até atingir o seu máximo grau de desempenho e, como tudo na vida, chegam ao ponto em que a sua reformulação ou dissolução é natural. A formação de equipes competentes é sempre uma tarefa árdua para qualquer empresa, mas vale à pena quando conseguimos unir os esforços certos e sentimos o prazer de alcançar os resultados almejados com a satisfação de observar que todos cresceram um pouco mais como profissionais e como pessoas.
Bons trabalhos em equipe!
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Leia mais:
BOWDITCH, James; BUONO, Anthony. Elementos de comportamento organizacional. São Paulo: Thomson Pioneira, 2002.
ROBBINS, Stephen P. Administração: mudanças e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2000.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ser líder é...

Que tipo de líder você é? Se ainda não exerce esse papel, então como você classificaria a pessoa que o chefia diretamente? Basicamente, no que diz respeito à tomada de decisões, podemos encontrar três tipos de comportamento de liderança nas empresas: a autocrática, a democrática e a laissez-faire. Não existe o melhor nem o pior, pois cada um desses comportamentos enquadra-se mais adequadamente com determinado tipo de serviço que precisa ser prestado e suas circunstâncias. O que é desastroso, sim, é um líder com comportamento desencontrado com o que é exigido para a sua atividade.
Quem lidera em momentos de extrema tensão ou de necessidade de resposta urgente não pode deixar de ser autocrático e de centralizar as decisões. Imaginem num prédio em chamas se alguém vai querer reunir a turma para decidir qual a melhor saída ou atitude a ser tomada. Não mesmo, é hora do líder entrar em ação e comandar o espetáculo.
Já em uma empresa de propaganda, onde a participação de todos (por exemplo, em um brainstorm) propicia o aproveitamento das melhores idéias para atingir o público alvo de uma campanha publicitária, a democracia deve imperar.
O comportamento laissez-faire, o qual por si só parece se contradizer com o próprio conceito de liderança, estabelecido sobre os pilares de autoridade e de responsabilidade, também encontra o seu meio. Como um líder laissez-faire atuaria então? Talvez num ambiente no qual as pessoas precisem resolver as coisas por si só, com um mínimo de interferência. Quem sabe um professor de uma escola de pintura que, após o ensinamento da técnica a ser utilizada, libere os alunos para o uso da criatividade e da iniciativa individual, deixando ‘rolar’.
O líder atuante, porém, não pode prescindir de observar e de controlar três dimensões básicas: tarefa, pessoa e desenvolvimento. Na tarefa, ele estrutura as atribuições de trabalho do seu grupo, estabelece as suas metas e cobra o cumprimento dos prazos acordados. Na pessoa, prima pelas boas relações interpessoais, pela acessibilidade e preocupa-se com os problemas dos seus subordinados. Na dimensão desenvolvimento, o líder abre janelas para a experimentação, para o surgimento de novas abordagens para os problemas e estimula as mudanças e os novos jeitos de se fazer as coisas.
E aí, descobriu como você é ou como é o seu líder?
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Leia mais:
BATEMAN, Thomas; SNELL, Scott. Administração: construindo vantagem competitiva. São Paulo: Atlas, 1998.
ROBBINS, Stephen P. Administração: mudanças e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2000.

domingo, 10 de maio de 2009

Domingo é dia de poesia! VII

O Homem e as Coisas
(Carlos Nejar)

As coisas não se submetem
à nossa vestidura;
na máscara que somos
as coisas nos conjuram.

Por que não escutá-las,
tão sáfaras e puras,
como flores ou larvas,
estranhas criaturas?

Por que desprezá-las
no sopro que as transmuda
com os olhos de favas,
fechados na espessura?

Por que não escutá-las
na linguagem mais dura,
comprimidas as asas
na testa que as vincula?

Despimos a armadura
e a viseira diurna;
a linguagem resvala
onde as coisas se apuram.

Recônditas e escravas
na cava da palavra,
são fiandeiras escuras
ou áspides sequiosas.

As coisas não se submetem
à nossa vestidura.